quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Juliane Ferreira da Cruz


Juliane Ferreira da Cruz


Repórter na Rádio Diplomata FM, apresentadora do programa "Juliane Ferreira", transmitido em 3 canais - 2 transmitidos em canal fechado e 1 em antena parabólica.

A entrevistada desta semana é - Repórter na Rádio Diplomata FM, apresentadora do programa "Juliane Ferreira", transmitido em 3 canais - 2 transmitidos em canal fechado e 1 em antena parabólica - Juliane Ferreira da Cruz, nascida em Roncador -PR aos 18.05.90; filha de Maria de Jesus Ferreira da Cruz e seu pai não biológico se chama Joaquim Mariano Soares (que a criou como filha desde o meu primeiro ano, então é seu pai.). Companheiro: Joselito Tridapalli


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Nossa entrevistada, Juliane Ferreira da Cruz

O que sonhava ser quando criança?
Ser apresentadora de TV ou atriz. Usava espiga de milho como microfone para quando brincava de ser apresentadora e cantava no palco (risos). E também pensava em ser Médica Veterinária, por morar na fazenda e cuidar de várias espécies de animais,Mas se não conseguisse atuar no que pensava, teria que ser qualquer coisa na área de comunicação pois sempre fui conversadeira... hrhhe

Pessoas que influenciaram?
Pessoas que influenciaram meu sonho em ser apresentadora era a Xuxa e a Angélica. Eram espontâneas, dançavam e cantavam. Eu achava aquilo sensacional! Em ser veterinária foi o filho dos patrões do meu pai, porque ele era extremamente cuidadoso com os animais e salvava os bichinhos de patologias graves. Na minha vida tem minha mãe, que só por saber que existe alguém com coração tão puro no mundo, já basta toda minha luta até aqui.


Histórico escolar ?
Na época não fiz creche, pois estudava na área rural. Entrei com 6 anos na 1ª série e fiquei até à 4ª série na Escola Rural Municipal Presidente Médici. Da 5ª à 8ª na Escola Estadual Ulysses Guimarães, já na cidade. Ensino Médio no Colégio Estadual General Carneiro e Ensino Superior na UNIFEBE, Brusque.

De que atividades gostava de participar?
No primário gostava daquelas brincadeiras de correr. Tudo que envolvesse adrenalina eu estava dentro. Na infância fui apelidada de “polaca cabrita”, não só por passar bons anos cuidando de muitas cabras, mas também por ter como filosofia viver trepada em árvores e pulando. Acho que eu era pior do que as cabras (risos). Eu escolhi um pé de ariticum (uns chamam de fruta do conde, nona, etc) como meu refúgio por anos. Sonhava em ter uma casa da árvore ali. Mas também curtia as brincadeiras mais calmas. Sempre fui muito competitiva, portanto, brincadeiras que tivessem finalidade competitiva também me fascinavam.

Primeiro/a professor/a?
Mercedes da Silva França. Ela era fantástica. Foi por ela que aprendi a gostar de professores durões. Que impõe disciplina só no olhar.

Grandes professores?
Destaco aqui dona Mercedes da 1ª à 4ª série. Mas, classifico todos como essenciais para minha formação pessoal e profissional. Sinto saudade de cada um, pois além de ter professores tive amigos pra uma vida toda.

Que matérias mais gostava e as que mais detestava?
Gostava: Inglês, Português, Literatura, Geografia.
Detestava: Nenhuma. Todas foram úteis de alguma forma, mas se for classificar as que eu menos tinha habilidade eram às relacionadas à área de exatas.

Fale de sua trajetória
Nasci em Roncador/PR;  morei por 14 anos na fazenda com meus pais, com 15 fui morar na cidade para começar a trabalhar e ter meu próprio salário. Comecei muito nova a trabalhar, tanto no sentido de ajudar a família quanto para conquistar minha independência. Não era muito. Inicialmente, antes de ter meu primeiro emprego, eu bordava em panos de prato para minha irmã vender. Depois disso tive meu primeiro emprego e ganhava 100 reais para trabalhar de babá, quando alguns meses depois passei a trabalhar na Rádio Princesa AM, onde rendia não muito além disso, mas ali eu viciei nesse negócio de rádio, e depois só foi ficando pior (risos). Foi Roncador que me ensinou a ser o que sou hoje. Pouco mais de 10mil habitantes, cidade pacata, mas rica em humildade e força de vontade. Um povo amigo, que sinto muita falta.
Lembro-me que com 6 anos já tirava leita das vacas de madrugada, mas não me recordo de como e quando aprendi. Estudar sempre meu maior orgulho. Feliz eu ficava quando chegava o dia em que meus pais faziam a compra do mês, pois daí eu ganharia uma mochilinha nova: um pacote de arroz novo, ou de açúcar, onde dentro eu colocava meu caderno, lápis, borracha (não podíamos usar caneta até chegar na 3º série) e seguia feliz da vida com meu “pacote” novo de material escolar. A merenda era caso de polícia, digo, de formiga! Até chegar à escola dava uns 10 km a pé, por isso escondíamos o lanche na metade do caminho, num lugar bem fresquinho, para comer na volta. Só que quando íamos pegar o lanche, um sanduíche de mortadela que seria divido numa turma gigante, nos deparávamos com ele totalmente consumido por formigas. Dava uma raiva só.
Deixei Roncador em janeiro de 2007 para tentar uma vida melhor em Brusque. A filha do meu padrasto veio morar em Brusque e um ano depois vim também para morar com ela e trabalhar no emprego o qual ela estava saindo (de babá também). Ali permaneci por quatro anos com a mesma família. Meu namorado, Joselito Tridapalli, me apresentou ao mundo da Televisão de Brusque e eu comecei a trabalhar no Canal X em 2010. Permaneci ali por quase um ano quando saí e em seguida dei inicio ao meu próprio programa na TV Cidade Brusque. Um ano depois o programa passou a ser veiculado também na TV Brusque e Canal Via Max. Em meados de 2012 um novo desafio: compor a equipe de Jornalismo da Rádio Diplomata FM. Mais que um desafio, um sonho realizado – voltar para o rádio! Permaneço até hoje nestas funções: apresentadora do programa Juliane Ferreira e repórter na Rádio Diplomata FM.

Melhores livros que leu?
Eu sou apaixonada pelos livros que contam história de alguém, que retrate a história do lugar onde moro ou do meu estado, pois sou muito curiosa quanto a isso, de saber o porquê que tal rua principal leva o nome de uma pessoa, quem foi ela? Não vou especificar nenhum, todos são tesouros para mim. Quando tem lançamento de livro em Brusque já penso: “Oba!”, mais uma preciosidade.

O que está lendo agora?
Terminando “Subjetiv (idades)”, de Thayse Helena Machado para iniciar “Guarani, 80 anos de sonhos e conquistas”.

Costuma ler jornais?
Sim, todos os dias. Quando morava na fazenda em Roncador, o patrão do meu pai esporadicamente levava exemplares de jornais pra gente, eu ficava fascinada.

Quais as suas aspirações?
Não penso muito no que será de mim no futuro, pois a primeira sensação é que não darei conta de tudo pra chegar até lá (risos). Tenho tantos planos, mas o principal deles é ter minha família por perto de novo. Sei que não posso nunca mais dar continuidade a memórias que marcaram minha vida, pois o que já vivi não volta mais. Por isso vivo intensamente cada segundo, creio que esse é o segredo. Obrigada pela oportunidade!

Algo que você apostou e não deu certo?
Tentei ser vendedora, mas não dava certo porque não tinha habilidade com contas. Cursei Pedagogia. Precisava esclarecer essa dúvida com relação a trabalhar com crianças quando ingressei no curso na UNIFEBE, mas não durou muito.

O que aplica dos grandes educadores, das aprendizagens que teve, no seu dia a dia?
Paciência. Agir com Sabedoria. Pensar bem antes de falar qualquer coisa. Acreditar em mim e no meu potencial. Não desistir, apesar dos ventos contrários. Um professor me disse na faculdade: "Seja grandiosa naquilo que fizer". É isso.

O que faria se estivesse no início da carreira e não teve coragem de fazer?
Envolver-me mais na operação de mesa de áudio na Rádio Princesa AM, no Paraná. Aprender nunca é demais, e ali vacilei em não aprender, sabendo que havia uma pessoa totalmente disposta a me ensinar. No mais, sempre fui de me jogar de cabeça em novos desafios e aventuras.

Quais as maiores decepções e alegrias que teve?
Decepção: Considero uma decepção não estar junto da família no dia em que meu avô faleceu e foi enterrado. Estava enferma num hospital, mas mesmo assim, para mim, imperdoável.
Alegria: Minha formatura da 8ª série. Um turbilhão de sensações. Outra alegria foi, também na 8º série, quando fui destaque do colégio, numa ação da escola em homenagear e premiar todo trimestre, em cada turma, o “aluno nota 7”, aqueles com média acima de 7.0 em todas as disciplinas. Diariamente a Diretora reunia todas as turmas antes de entrar para estudar, onde, enfileirados por ordem de turma, cantávamos o Hino Nacional e em seguida vinham os recados do dia e afins. Naquele 18 de maio de 2005 foi diferente. Diferente pra rotina dos alunos, especial demais para mim. Era meu aniversário e veio o anúncio que fui a melhor aluna da sala e melhor média do colégio, ganhando uma viagem para Foz do Iguaçu. Antes disso eu já havia recebido alguns prêmios por ser destaque na sala, mas nada se comparava a tamanha emoção em um dia especial como o meu aniversário. Quando subi ao palco para receber meu certificado, num coro forte, todos os alunos, todo corpo docente, todos os funcionários cantaram parabéns pelo meu aniversário enquanto eu abraçava a diretora tão forte que eu não sabia o que estava sentindo, até ela me dizer “Nossa, Jú, nunc te vi tão feliz”, daí descobri que chorava de emoção pela primeira vez. Foi mágico. Inesquecível, inenarrável.

Qual o maior desafio que já enfrentou?
Largar tudo para vir morar em Santa Catarina. Saber que estava tão longe da família, minhas raízes e meus amigos me atormentou por muito tempo.









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Publicada no Em foco aos 23 de janeiro de 2015Exibindo IMG_0722.JPG

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ronaldo Uller

Ronaldo Uller

Professor de Direito Administrativo no curso de Direito, advogado e assessor jurídico na UNIFEBE






O entrevistado desta semana é o Ronaldo Uller; filho de Vilmar Uller e de Alaíde Witkowsky Uller; nascido em Brusque aos 01 de agosto de 1972. divorciado.

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Nosso entrevistado o Professor de Direito Administrato e Assessor jurídico na Unifebe, Ronaldo Uller


O que sonhava quando criança?
R: Um dos sonhos era ser jogador de futebol, como muitos dos meninos da época. Lembro-me bem da Seleção Brasileira de Futebol da Copa da Espanha, de 1982. Era uma equipe de ouro com grandes jogadores (Éder, Júnior, Sócrates, Zico e tantos outros), um futebol arte. Isso inspirava a garotada. Porém, faltou sorte aquela equipe e ela acabou sendo eliminada pela Itália por 3 a 2. Foi muito triste, eu tinha apenas 10 anos. Mas isso passou como uma boa fase da vida. Fui mesmo é fazer Estudos Sociais na FEBE e depois o Curso de Direito em convênio com a Universidade Regional de Blumenau-FURB.

Quais pessoas influenciaram você?
R: Em primeiro lugar os meus pais. O meu pai faleceu muito cedo, quando eu tinha apenas 16 anos. Porém, deixou três marcas para mim: a seriedade, o trabalho e a disciplina. Mas a maior influência acabou sendo por parte de minha mãe, de forte formação cristã-católica, uma vez que é oriunda de família de descendentes de poloneses. E para os poloneses essa questão é fundamental desde a infância. É algo cultural e da formação desse povo. Você pode constatar isso pelo testemunho de vida do Papa João Paulo II, que era polonês. Aí você compreende melhor o que estou falando. Outra pessoa que me marcou profissionalmente foi o meu tio, Adolfo Witkowsky, a quem devo a primeira oportunidade de trabalho em seu escritório de contabilidade. Foi lá que dei os primeiros passos como profissional. Comecei como office boy.
Foi uma experiência muito gratificante. E, não poderia deixar de mencionar aqui os meus irmãos: Cíntia Uller e Murilo Uller. A Cíntia constituiu família e mora hoje em Florianópolis. E o meu irmão caçula, o Murilo, infelizmente, faleceu aos 14 anos em 1999. É uma saudade eterna.

Onde estudou? Qual formação possui?
R: Desde o jardim de infância, graças ao esforço dos meus pais, tive o privilégio de estudar em colégio particular. Estudei no jardim de infância das Irmãs da Divina Providência e no Colégio São Luiz até terminar o Ensino Médio. Depois fui fazer Estudos Sociais na FEBE e após o Curso de Direito pelo convênio com a Universidade Regional de Blumenau-FURB. Terminada a graduação fiz uma Especialização em Direito Processual Civil pela FURB e, após, o Mestrado em Ciência Jurídica pela Universidade do Vale do Itajaí-UNIVALI.

Quais atividades gostava de participar na Escola?
R: Eu participava de tudo o que se podia. Mas a preferência, naturalmente, eram os torneios de futebol. Na época não tínhamos telefone celular, computador ou outras modernidades desse mundo atual. Penso que, em até certo ponto, isso proporcionava a nós até uma vida mais saudável. Convivíamos também com maior proximidade com a natureza, mesmo em casa. Caçar e pescar eram atividades prazerosas. Hoje se você perguntar para uma criança se ela já viu uma simples galinha, talvez ela diga que não ou, tenha visto apenas na televisão ou nos livros escolares. No Ensino Médio, no Colégio São Luiz, também ajudei com outros amigos a fundar o Clube de Astronomia de Brusque-CAB, que até hoje é a entidade responsável pela manutenção do Observatório Astronômico de Brusque sob a liderança do astrônomo e amigo Silvino de Souza.

Qual seu(sua) primeiro(a) professor(a)?
R: A minha primeira professora no Colégio foi a Sra. Maria Celina Coelho Gonçalves, na 1ª Série. Lembro-me que foi ela quem me alfabetizou. Era muito severa e exigente. Os alunos tremiam diante dela. Além disso, outra presença marcante para mim foi o Prof. Valentim Beber, em função das suas aulas de Geografia e da Profª Rita Zucco Sassi, com suas aulas de História. Essas matérias ou adorava e adoro até hoje. Além desses distintos professores e de tantos outros que guardo no coração, tivemos a presença sempre marcante do Prof. Pe. Orlando Maria Murphy, SCJ, que era Diretor do Colégio. Ele era uma autoridade incontestável não apenas no Colégio, mas em Brusque e na região. Os alunos tinham muito medo dele. Era aquele respeito, aquele temor reverencial que não se tem mais nos dias atuais. Outro colega professor com quem tenho amizade até hoje é o Prof. Pe. Nestor Adolfo Eckert, SCJ. Uma inteligência incrível. Foi meu professor desde os tempos de Colégio até na universidade.

Quais matérias mais gostava e quais mais detestava?
R: Eu gostava de escrever e redação era uma das coisas que eu me dava muito bem. Até cheguei a ganhar um prêmio das Lojas HM por uma redação pelo Dia das Mães em 1982, aos 10 anos. Fomos eu e a aluna Samantha Diegoli os melhores classificados do Colégio. Mas, em termos de disciplinas específicas, eu gostava mesmo era de Geografia e História. Esses estudos me ajudaram a conhecer o mundo de uma forma mais crítica. Foi aí também que eu comecei a gostar de participar de atividades políticas. Assim, eu me filiei ao PSDB em 1989, quando da campanha do candidato Mário Covas à Presidência da República. Contudo, eu detestava Matemática e Química. Para mim estudá-las era um sacrifício hercúleo. Todavia, hoje eu sei da importância delas no mundo atual.

Fato marcante?
O parto foi realizado pelo médico Dr. Germano Hoffmann, que faz aniversário também em 01 de agosto de 1972. Este ano nós dois nos encontramos em nosso aniversário. Eu estive na casa do Dr. Germano e comemoramos juntos os aniversários. Foi muito emocionante e marcante.

O que você apostou e não deu certo? R: Na Mega-Sena com certeza! E, além disso, pensei que o Aécio Neves seria o Presidente da República em 2015. Pensando bem, acredito que ele até teve sorte em não ser eleito. O governo atual está sem rumo.

O que aplica dos grandes educadores, das aprendizagens que teve, no seu dia a dia? R: A pergunta é um tanto complexa. Porém, penso que uma virtude que tento levar comigo é a da humildade. Sempre estamos “aprendendo” algo novo, seja com um colega, um amigo, com um aluno ou mesmo com um desconhecido que nos interpela. E esse exercício de abertura pessoal é fundamental para o crescimento profissional e mesmo para o crescimento como ser humano. Eu sempre desconfio da pessoa que “sabe tudo” ou que tem “certezas absolutas”.

O que faria se estivesse no início da carreira e não teve coragem de fazer? R: Essa é uma pergunta difícil. O melhor é pular para outra questão (risos). Contudo, penso que independentemente da decisão que tomasse, com coragem ou não, eu adotaria os mesmos princípios e valores que hoje carrego comigo. Mudaria talvez de direção, mas não de princípios. A esse respeito, quando posso eu também digo sempre para os alunos que felicidade não é fazer apenas aquilo que se gosta, mas, sobretudo, saber lidar com aquilo que você não gosta. E, além disso, digo a eles que se eles têm um sonho honesto e verdadeiro, que corram atrás dele e que teimem, teimem que dá certo!

Quais as maiores decepções e alegrias que teve?
R: A maior alegria com certeza é a de viver e de poder compartilhar a vida com as pessoas vivendo com simplicidade. Viajar é também uma das alegrias que tive e tenho, de conhecer lugares e culturas diferentes. Isso nos abre o horizonte e a perspectiva de que somos todos irmãos. Apenas moramos em lugares diferentes, com culturas diferentes e com visões de mundo diferentes. E, por isso, somos todos humanos. As decepções não são tantas. Penso que as decepções que temos na vida nos ajudam a crescer como pessoa e a perceber que há sempre problemas a serem superados. Hoje uma das maiores decepções que tenho é com os gestores públicos. É muita corrupção. Praticamente você não confia em quase mais ninguém. É lamentável para um país belo como o nosso. Faltam honestidade e seriedade no trato com a coisa pública. Contudo, tenho referenciais de honradez de vida pública que marcaram minha vida: o ex-Prefeito José Celso Bonatelli, em Brusque e a nível nacional, o ex-governador Mário Covas, de São Paulo. Incluo aqui também o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, que considero o último grande estadista do Brasil. Hoje eu diria ainda que o Senador Pedro Simon, do Rio Grande do Sul, tem um perfil muito próximo do que eu acredito. É um homem íntegro e tem um perfil de estadista.

Qual o maior desafio que já enfrentou?
R: A superação do falecimento do meu irmão Murilo. Foram momentos muito difíceis para mim e para toda a família. Sofremos muito. Mas diante disso, sempre me lembro de uma frase do Pe. Zezinho, SCJ, que me serve de inspiração, que diz assim: “A vida é uma questão. O amor é a resposta”. Então, a vida não acaba quando você morre. Ela acaba quando você deixa de amar.

Quais os melhores livros que leu? Qual está lendo agora? Costuma ler jornais?
R: Como professor você tem que ler de tudo um pouco e não apenas matéria da área jurídica. Quer enriquecer seu vocabulário? Leia, leia e leia. Eu gosto muito de livros de história, de biografias, dentre outros. Não saberia escolher um livro específico. E, assim, leio o livro que penso que possa me trazer algo de novo, de enriquecedor. Eu não gosto de ficção. Agora estou terminando de ler um livro do teólogo alemão Anselm Grün, com o título “Vida Pessoal e Profissional – Um Desafio Espiritual”. Sobre jornais, leio a Folha de São Paulo e o Estadão e gosto da leitura da Revista Veja. Além disso, eu também gosto muito de ir ao cinema.

Quais suas aspirações?
R: Tenho ainda muitas aspirações pessoais e profissionais. Porém, eu as guardo no coração. Obrigado pela entrevista amigo.

 Publicada no Em Foco aos 16.01.2015






sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Luiz Elias Valle

  Luiz Elias Valle


Valle com a esposa Marlene.
Nasci em Nova Trento em 06 de agosto de 1950, filho de Marçal Valle e Alzira Maria Busnardo Valle; cônjuge: Marlene Cadore Valle; filho: Luiz Fernando Cadore Valle; torço na era Pelé, Santos; atualmente, com a nova geração Santos. Cargo: Coordenador do Núcleo de Prática Jurídica, Professor de Direito Penal e Advogado. Como surgiu a vinda para Brusque? Foi devidamente acolhido?
Minha vinda para Brusque ocorreu no final de fevereiro de 1969. Conclui o magistério no Colégio Francisco Mazzolla, em Nova Trento, no ano de 1968. Meu caminho era o magistério, oportunidade perseguida por muitos neotrentinos concluintes do ensino médio, que partiam para as cidades vizinhas em busca de um objetivo, assim, seguindo alguns irmãos que já desenvolviam atividade na área e residiam em Brusque, aqui me estabeleci, com parte da família.
Inicialmente residindo na Rua Guilherme Ristow, 1º de Maio. posteriormente, em 1970, na Rua Tecelões de Lods, na Santa Rita. Endereços de onde me deslocava, diariamente, para lecionar na escola primária Escola Reunida Carlos Maffezzolli localizada na Rua São Pedro, município de Guabiruba e, no Colégio Carlos Boos, também em Guabiruba.
Foram anos de intensa atividade pois, além do compromisso com o magistério, o deslocamento exigia muita disposição sendo realizado, por vários anos, de bicicleta, submisso ao tempo (frio, geada, chuva etc.), associado ao ingresso do curso de Geografia, no início de 1971, na antiga Fepevi, em Itajaí.
Em Brusque, apesar de uma cidade de características econômicas muito diferentes de Nova Trento, nenhuma dificuldade de adaptação encontrei, sentindo-me muito bem no seio da comunidade.
Como foi sua Infância?
Minha infância foi passada na bucólica Nova Trento. No verão muito banho de rio, futebol e, aquelas diversões de uma pequena cidade, como: pescar, caçar (ainda sem o Ibama), muita goiaba, melancia, cana etc, no que diz respeito a diversão. Como descendente de família italiana a religiosidade sacramental impunha a frequência à missa dominical; a procissão (sendo a mais destacada a de Corpus Christi com amplos e longos tapetes com ruas ladeadas em toda extensão por palmitos que possibilitavam uma bela brincadeira ao término da cerimônia); a hora santa aos domingos à tarde, com ladainhas intermináveis; o encontro dos cruzados com uniforme característico; a congregação dos filhos de Maria.
Como foi a sua Juventude?
A juventude em grande parte em Nova Trento, onde conclui o Normal Regional (correspondia ao Ginásio) e Magistério (segundo grau) que me permitiu iniciar a vida em Brusque já como Professor primário. Foi uma fase muito agradável, com amizades saudáveis, sinceras, provincianas é claro, onde as famílias se encontravam em grande número para comemorar os natalícios, casamentos, com atitudes solidárias.
Formação Escolar e Primeira Professora?
  • Ensino primário no Grupo Escolar Lacerda Coutinho administrado pelas irmâzinhas da Imaculada Conceição ( congregação fundada pela Santa Paulina), sendo minha primeira Professora a Irmã Elizabet, miúda, apenas o rosto à mostra por força do hábito (indumentária própria da congregação) mas que deixava transparecer uma beleza morena, de atitudes enérgicas, comprometida com a responsabilidade de educar.
  • Ensino Médio: Magistério no Colégio Francisco Mazzolla, em Nova Trento, no ano de 1968
  • Formação Superior: Licenciatura em Geografia na antiga Fepevi, Itajaí, em 1974.
  • Bacharel em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí, em 1990.
  • Especialista em Direito Penal e Processual Penal pela Furb, em 1996.
Melhor professora?
Difícil lembrar a melhor professora. Muitas marcaram minha vida escolar, sobretudo na fase primária, de algumas lembro mais e, me ocorre destacar a Irmã Salete que minha professora na segunda série primária e depois, minha colega de graduação na antiga Fundação do Geopoloeducacional do Vale do Itajaí Fepevi, atual Univali, nos idos de 1974.
Como surgiu a Unifebe em sua vida profissional? Pelo que é responsável?
Unifebe na minha vida: O Curso de Direito da Unifebe iniciou, como extensão da Furb, em 1992. A partir de 1995, quando atingiu o momento da prática, conforme previsão curricular, na sétima fase, fui convidado pelo então Coordenador o Prof. Dr. João José Leal para iniciar as disciplinas práticas, isto ocorreu a partir de 01 de abril de 1995. Desde então, coordeno a prática jurídica dentro do Núcleo de Prática Jurídica instalado no prédio do Anfiteatro na Rua Manoel Tavares,52, centro. As disciplinas práticas estão distribuídas em 5 níveis totalizando 375 horas de atividades simuladas (elaboração de peças processuais segundo preceitos legais e orientações metodológicas), ações reais decorrentes da Assistência Judiciária Gratuita prestada à comunidade e, acompanhamento as audiências, mediante relatório, no Fórum da Comarca. Reputamos de grande relevância o aspecto social, conotação da prática, que foca diretamente a comunidade oferecendo orientação, mas sobretudo, patrocinando a prestação jurisdicional através do ajuizamento das demandas.
Como Presidente do Conselho Municipal Antidrogas -COMAD está atingindo as metas planejadas?
Procuro prestar minha contribuição à sociedade. Profissionalmente, sempre estive em contato com pessoas ou comunidades, como professor, por 40 anos e, como advogado, nos últimos 20 anos, sempre, como membro de uma sociedade e como pai. Sinto ser esse um momento de intranquilidade pois é avassaladora a ação nefasta das drogas destruindo vidas, destruindo famílias. Dentro do Conselho, juntamente com os demais conselheiros, alguns com a absoluta consciência da importância da atuação, pugno no sentido de promover ações buscando de inverter esse avanço. Defendo a necessidade de uma total sintonia da sociedade civil organizada, institucional, agentes públicos, em torno da questão. Nos dois anos de presidência levantei a bandeira da necessidade da construção de uma Casa de Recuperação, tema que está permanentemente em pauta, e certamente continuará motivando outros conselheiros.
Recentemente foi agraciado com o título de Cidadão Honorário de Brusque. Recebeu com orgulho o título?
Modestamente, avalio a outorga como reconhecimento pela minha vida de trabalho, participação comunitária. É gratificante sentir a acolhida. Penso que me autoriza a ter a certeza da aprovação da minha conduta.
Uma palhinha da vida profissional
Em 1967 enquanto cursava o segundo grau (magistério) em Nova Trento, fui aprendiz e tecelão na filial da Renaux. Com a conclusão do magistério, e transferência para Brusque em 1969, iniciei minha vida como Professor assumindo aulas na Escola Reunida Carlos Maffezzoli na Rua São Pedro, município de Guabiruba. Foram 35 anos de magistério vivenciados em muitos estabelecimentos públicos de Brusque e Guabiruba na condição de professor e diretor. Na trajetória tive o desafio e a satisfação de dirigir os Colégios Santa Teresinha (1994) e Osvaldo Reis (1982/1986). Integrei por muitos anos o quadro da antiga Unidade de Coordenação Regional UCRE e exerci como professor, por pelo menos, tres lustros atividade no Colégio Cenecista Honório Miranda.
A partir de 1990, simultaneamente ao magistério público, passei a exercer a honrada profissão de advogado, autonomamente, e em 1995 a convite do eminente professor João José Leal, integrei o quadro de professores do Curso de Direito da Unifebe nas disciplinas práticas, onde me encontro até os dias atuais como Coordenador do Núcleo de Prática Jurídica.
Exerço o magistério, com satisfação, há quarenta anos, diria até, com vocação. Tenho a convicção que a maior contribuição do ser humano para a vida é a promoção do outro.
Durante a trajetória tive inúmeras decepções, mas que foram superadas, e não me fizeram desistir. Lamento que a educação formal, em nosso país, seja apenas bandeira eleitoreira.
A vida é um perpétuo aprendizado, que inicia na seara familiar, onde já os princípios de honradez, honestidade, respeito, justiça, começam a integrar a personalidade, e se estende pelo convívio exterior, consolidando-se através do conhecimento da vida exemplar das personalidades que marcaram a humanidade pelo lado da virtude.
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Referências

  • Jornal Em Foco. Edição de 12 de outubro de 2010.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Dr Ricardo José Engel

Dr Ricardo José Engel

Auditor-Fiscal do Trabalho (MTE) e Professor Universitário (Unifebe)


Entrevistado desta semana é com o Auditor-Fiscal do Trabalho (MTE) e Professor Universitário (Unifebe).o Dr Ricardo José Engel; nascido na cidade de
07.01.1965, na cidade de Peritiba, meio-oeste catarinense, aos 07.01.1965; filho de Isidoro Guilherme Engel (in memoriam) e Maria Rauber Engel (in memoriam); casado com Ivana Miriam Torresani Engel, com a qual tem uma filha: Gabriela Maria Engel; torce para o Internacional (de Porto Alegre), último time brasileiro a ser campeão mundial, vencendo o “badalado” Barcelona.
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Quais são as lembranças que você tem da sua infância/adolescência?
Minha infância e adolescência foi a de um guri da roça. Auxiliava na lavoura do milho, feijão, arroz, aipim e outras culturas. Meus pais, vivendo dessa pequena agricultura de subsistência, criaram os doze filhos, numa vida pontilhada de muitas lutas e sacrifícios, superando os desafios da vida no meio rural. Nosso único veículo era uma bicicleta, que servia, na medida do possível, a todos os membros da família. Vida modesta, marcada por um clima de união e alegria. A mesa sempre foi farta e a refeição, com os cheiros e sabores da comida colonial, invariavelmente precedida da oração de agradecimento a Deus.

Sonho de criança?
Era poder vencer na vida.

Nos tempos de guri, o que você mais gostava de fazer para se divertir?
A minha infância e adolescência foi como a de qualquer garoto morando no meio rural do oeste catarinense. As diversões eram as pescarias e os banhos no pequeno rio que corta a cidade, as caçadas de funda, o futebol que jogávamos de pés descalços (regra geral), em campos rústicos e acidentados, com traves improvisadas com bambus e os jogos com bola de gude (bolica), brincadeira presente na infância de muita gente, nos tempos em que não havia o computador, vídeo game e jogos eletrônicos. Sem esquecer das brincadeiras com pequenas juntas de bois que amansávamos na canga, fazendo-as puxar leves troncos de madeira ou mesmo a carroça, na qual subíamos todos, apesar dos riscos de alguns acidentes. Ainda aos finais de semana, nos morros dos potreiros (pastos), era um divertimento deslizar assentado sobre as cascas dos cachos das palmeiras, sobre taboas velhas ressequidas pelo sol e transformadas em “trens” ou, ainda, pilotando um carrinho todo feito de madeira, espécie de zorra. O joelho ralado ou outros pequenos machucados não impediam que no domingo seguinte se fizesse tudo de novo. Tempos faceiros.

Quais eventos mundiais tiveram o maior impacto em sua vida durante a sua juventude?
São vários. Mas vamos nos referir à eleição do Papa João Paulo II no final dos anos 70 e seu longo e exemplar pontificado, que deixou traços indeléveis na história da humanidade. Constituiu-se numa figura humana e espiritual de grandeza incomum e de uma sabedoria divinamente inspirada, que sem dúvida marcou gerações e cativou a juventude e que através de seu trabalho de pastor infatigável, por razões notórias, tornou-se um dos líderes mundiais mais influentes e carismáticos do século passado.


Pessoas que influenciaram?
Sem dúvida alguma, meus pais. Apesar de, pelas condições da época, apenas terem frequentado até o quarto ano do ensino fundamental, sempre demonstravam apreço pela leitura de jornais, revistas, almanaques, folhetos religiosos, etc. Isso foi um incentivo para mim. Mas essa não minha principal herança. Meu pai, um pequeno agricultor, me ensinou a marca da honestidade, da responsabilidade, do respeito e do trabalho. Minha mãe, uma pessoa extraordinária, um poço de humildade e de bondade. Um exemplo de mulher de fé, de amor a Deus, de profunda devoção mariana. Ela me ensinou que a vida é comparável a um jardim de flores, que para manter-se belo, demanda permanente cultivo, dedicação e cuidados. Sou eternamente grato a eles.

Qual é a sua formação superior?
Obtive graduação em Estudos Sociais e em depois Direito pela Univali, seguida de especialização em Administração de Empresas pela ESAG. Por fim o Mestrado, pela Univali. No doutorado, também na Univali, concluí todas as disciplinas, porém não defendi a tese por razões estranhas à minha vontade (questões burocráticas da instituição e problemas pessoais de saúde).

Primeira professora?
Professora Noeli Hermes. Não consigo entender de que forma ela, praticamente sozinha, dava conta de tanta criançada. Lembro dela com muito carinho. Era uma pessoa vocacionada. Atendia, incansável, cada aluno que a chamava para empurrar o balanço, instalado no pátio do “Jardim de Infância”

Grandes professores?
Todos foram importantes. Alguns de cultura mais sólida e iluminada, outros menos carismáticos. Todavia cada um, a seu modo, contribuiu para minha formação e sou grato a todos por isto. Ao citar alguns nomes, cometeria uma injustiça com outros que deixaria de citar.

Como surgiu a ideia do livro “Jus Variandi no Contrato Individual de Trabalho”?
Esse livro representa o produto de nossa dissertação de mestrado, em cuja defesa pública foi sugerido, pela banca examinadora, a sua publicação. Então enviamos o texto para a LTr que decidiu pela edição do livro. O tema já havia sido objeto de estudo num artigo que publicamos na Revista LTr, especializada em direito trabalhista e com mais de 75 anos de tradição.
Em resumo, qual a conotação do jus variandi
O foco da investigação é a identificação teórico-científica do poder unilateral e discricionário do empregador, no dia-a-dia das relações de trabalho, ao dirigir a prestação pessoal de serviços por parte de seus empregados.

Na sua tese, têm limites para o empregador ao lidar com o empregado?
Conforme já dissemos anteriormente, o jus variandi é um poder discricionário, porém não arbitrário. Ele jamais poderá ser instrumento de injustiças. Daí a necessidade de se conhecer seus limites, através do exame dos esteios do ordenamento jurídico brasileiro. E neste ponto chegamos aos princípios, que são os elementos nucleares e estruturantes de todo o nosso sistema jurídico. No caso específico do Jus Variandi, seus limites podem ser identificados por quatro princípios: Dignidade da Pessoa Humana, Não-Discriminação, Boa-Fé e Razoabilidade.
E como surgiu a ideia de escrever o livro Pedalando pelo Tempo – História da Bicicleta em Brusque?
Colecionamos bicicletas clássicas e antigas desde 2004. Qualquer colecionador, como é natural, trata de buscar o maior número de informações possível a respeito do objeto de seu colecionismo. É uma tendência fácil de compreender. No nosso caso, impunha-se conhecer ao máximo possível, a história da bicicleta, suas diversas marcas e origens, seus componentes, acessórios, etc. Iniciei pesquisas, nas horas vagas, sobretudo em meio virtual, pois raríssima é a bibliografia. Veio o ano do sesquicentenário de Brusque e algumas pessoas sugeriram o resgate da história da bicicleta no âmbito local e regional, uma vez que na história de Brusque, a bicicleta exerceu um relevante papel, sobremodo nas décadas de 1950 e 1960, tendo uma relação umbilical com o desenvolvimento social, econômico, cultural e humano da cidade dos tecidos. Entendemos que seria justo resgatar esta valiosa memória e oferecer este estudo à comunidade brusquense. As principais fontes, para a história local, foram os documentos escritos e a história oral e memória. O livro encontra-se já em sua segunda edição, disponível aos interessados nas livrarias da cidade.
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Com a bicicleta

O tema escolhido fugiu da área jurídica, deve-se a sua formação e a preocupação com a realidade social?
Associado à questão do colecionismo, razão principal da pesquisa, o enfrentamento do tema foi facilitado talvez pela nossa formação em Estudos Sociais, que foi a primeira graduação, além de sempre gostarmos de história, mais como curioso do que como pesquisador. Lecionei história no passado, no Colégio São Luiz e também no curso de Direito da Unifebe, bem no início do curso. Gosto da temática e considero-a essencial para todos os campos do saber. Vale a velha frase: a história é a mestra da vida. Além disto, era o ano do sesquicentenário de Brusque e entendi ser justo oferecer uma contribuição, ainda que pálida e desluzida, à cidade que me recebeu.

Em 2003 o primogênito dos livros, em 2010 o segundo, em 2012 a biografia do nosso querido Ivo Moritz, em 2013 um breve resgate da história do Dr. Verner Willrich, recentemente a obra biográfica do Dr. Marco Antônio? Mais projetos em andamento?
Foram todos estudos importantes, com os quais muito aprendi. Lançamos com grande sucesso, em agosto último, em coautoria com o escritor e amigo Prof. Reinaldo S. Cordeiro, a biografia do Dr. Marco Antônio Pizarro da Silveira, uma pessoa muito estimada pela coletividade brusquense e regional, que tem uma longa e reconhecida folha de serviços prestados ao judiciário, à educação de nível médio e superior e ainda no movimento leonístico, além de outras entidades. Foi um trabalho gratificante, pois ele é um exemplo para todos nós. Uma outra biografia significativa está sendo preparada para breve. Correndo por fora, temos ainda um projeto em desenvolvimento, em parceria com nosso amigo, cronista e escritor Valdir Appel (Chiquinho), o qual possui como objeto a investigação de aspectos históricos do Clube Esportivo Paysandú, “O Mais Querido”.

A boa escrita é o único atributo indispensável para ser um bom escritor?
Não. Penso que não é tarefa fácil produzir um texto agradável e atual. Além de redigir de modo adequado e elegante, é preciso manter-se fiel aos fatos, levar em consideração o público alvo e observar certo padrão metodológico.

Como é sua experiência como Auditor-Fiscal do Trabalho no Ministério do Trabalho e Emprego?
Ingressei no MTE em 1995, através de concurso público, depois de nove anos de atividades como servidor da Justiça do Trabalho, na antiga Junta de Conciliação e Julgamento de Brusque, época em que também lecionei história. Esta experiência no judiciário auxiliou-me no exercício do novo trabalho, pois como Oficial de Justiça ad hoc, já realizava visitas às empresas. A atividade de Auditor-Fiscal do Trabalho tem seus desafios e riscos. É desgastante, pela sua natureza. Por outro lado, gosto muito do que faço e a atividade é extremamente gratificante pelos resultados coletivos que se produz em favor dos trabalhadores, e num espaço de tempo relativamente curto. Refiro-me às melhorias das condições de trabalho, correção de irregularidades em vários atributos como registro do empregado, salário, jornada de trabalho, descansos, FGTS, segurança e saúde do trabalhador, proteção do trabalho da mulher e do menor, etc.
O ambiente de trabalho deve propiciar, sempre, o respeito à dignidade do trabalhador e os seus direitos, assegurados pela legislação trabalhista, devem ser respeitados pelo empregador. É evidente que, por se tratar de uma relação jurídica bilateral, aos empregados incumbe cumprir, zelosamente, seus deveres, também previstos em lei e no contrato de trabalho. Em resumo, por meio da função pública que exerço, aliado às atividades de magistério, tentamos consagrar o melhor das energias em favor daquele idealismo ou utopia que sempre nos moveu, de contribuir, modestamente, para a edificação de uma sociedade mais justa e igualitária.

Algo que você apostou e não deu certo?
É claro que muitas coisas projetamos na vida e nem todas dão certo. Mas tenho que pensar para tentar lembrar algo relevante... Então acho que isso é um bom sinal! Além disto, sou otimista: prefiro sempre recordar apenas as coisas que deram certo.

O que faria se estivesse no inicio da carreira e não teve coragem de fazer?
Penso que não mudaria muita coisa não.

O que você aplica dos grandes educadores, das aprendizagens que teve, no seu dia a dia?
São tantas que fica difícil destacar. Mas vamos arriscar algumas. Primeiramente, a humildade científica. A postura deve ser de aprendizagem constante, colhendo lições do ensinamento posto, que é vastíssimo, e filtrando criticamente o novo que surge. Saber ouvir: o que cala, em muitas ocasiões, aprende mais do aquele que fala. Depois, destacaria uma aprendizagem de cunho religioso: que devemos sempre ser um sinal de Deus em qualquer lugar por onde andarmos, por nossas ações e palavras. Podemos nem sempre conseguir, mas devemos sempre tentar.

Quais as maiores decepções e alegrias que teve?
Não tive grandes decepções. Como disse antes, prefiro buscar na memória as coisas que me alegram.Alegrias: o nascimento da minha filha. Foi uma emoção indescritível. Alegria hoje é estar junto com minha família.

Uma palhinha sobre o mestrado e doutorado em ciência jurídica?
Foi uma excelente aprendizagem, para vislumbrar aspectos fundantes do fenômeno jurídico e para afinal, perceber-se o quanto você ainda não conhece dele.

Na Unifebe, continua como docente? Qual a cadeira? O magistério é um desafio?
Na Unifebe sou professor desde 1992. Lecionei diversas disciplinas no curso de Direito, sendo predominantes as disciplinas de Introdução ao Direito e Direito do Trabalho. No último semestre ministrei Direitos Humanos, Ciência Política e Teoria Geral do Estado e Introdução ao Direito. Os alunos constituem, a toda evidência, o maior patrimônio da Unifebe, a razão de sua existência e elementos fundamentais de seu sucesso. Gosto muito deles e sempre tivemos um bom relacionamento. Sempre colaboraram bastante comigo e aprendi muito com eles nestes anos todos. Afinal, ser professor é um grande desafio: primeiro é preciso cativar o aluno, motivá-lo, fazê-lo gostar de aprender, de estar presente em sala de aula. Ter auto-estima. Depois é preciso saber levá-los a aprender a ser, conviver e tornar-se pessoas mais humanas no contexto social. A aquisição do conhecimento deve impulsioná-los a lutar criativamente por ideais.
Além disto, é preciso saber que ensino, pesquisa e extensão se quer oferecer e, mais que isso, comprometido com quê e com quem? Com qual proposta de sociedade? A ideia, bastante antiga, continua verdadeira: as práticas pedagógicas precisam sempre estar compromissadas com a realidade concreta (sociedade desigual) e com a formação integral do aluno. Isso não é tarefa fácil. Exige vocacionados e abnegados.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Cláudio Thome Júnior


Cláudio Thome Júnior,

Empresário SUPORTE TRANSFER SUBLIMATICO


O entrevistado desta semana é o empresario Cláudio Thome Júnior, nascido em São Paulo aos
10/12/1968; filho de Claudio Thome e de Laerce Maria Alves Thome; companheira Katia R. Lorena Thome; filhos Gabriela Thome, Bruna Thome, Lais Laerce Thome, Julia Thome e Claudio Thome Neto. Torce para o Corinthians.
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Nosso entrevistado, o empresário Cláudio Thome Júnior


Sonho de criança?
Com o vivia na eseio da mpresa familiar... sonhava um dia ser empresário.

Histórico escolar?
Primeiro e segundos Graus: EEPSG Wallace Simonse, em São Bernardo do Campo.

Como era a escola quando você era criança?
Uma escola muito simples de chão de terra.

Você tem amigos da infância ainda?
Tenho 5 inseparáveis.

O que sente falta da infância?
Da pureza e da inocência das crianças.

Quais eram suas melhores e piores matérias?
Melhor, português e pior, matemática.

De que atividades escolares e esportes você participava?
Participava da prática de futebol.

Pessoas que influenciaram?
Fui influenciado pelo meu pai e pela minha mãe.

Como surgiu a empresa em sua trajetória profissional?
Ela surgiu no encerramento da empresa da família. Meus pais tinham uma confecção esportiva que fazia uniformes de clubes de futebol, depois de 30 anos veio uma lei chamada “Lei Zico”, que transformou os clubes de futebol em empresa de futebol, proibindo assim confecção das camisetas, então paramos de confeccionar e cada filho decidiu seguir um segmento, no meu caso entrei no seguimento sublimação, após 12 anos trabalhando neste seguimento somos líderes em qualidade. Tudo Graças a Deus

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A empresa Suporte Sublimático

Como você vê a empresa no futuro? competitividade, qualificação do pessoal
A sublimação faz parte do futuro, substratos naturais tem a tendência de serem utilizados cada vez menos e sendo assim as estampas direcionadas para tecidos sintéticos irão prevalecer, sendo assim nosso segmento tem a tendência de crescimento avançado nos próximos anos.
Quem procurar QUALIDADE vai permanecer !
E como surgiu o nome da empresa?
Suporte, é a palavra que todos precisam para seu sucesso.

Quais as matérias-primas utilizadas pela empresa?
Utilizamos papel e tinta.

Quais os produtos produzidos pela empresa?
Transfer Sublimático para estampar em roupas, blusas, calças, vestidos, toalhas...

Como se opera transfer sublimático ?
Produzimos nosso transfer Sublimático em máquinas gráficas off set

Qual a destinação do transfer sublimático em papéis?
O destino do TRANSFER Sublimático são bases (tecidos) sintéticos com base de poliéster

Quais as principais clientela?
Nosso principal Cliente - Guararapes

Qual o quadro de pessoal da empresa?
Em São Paulo temos 32 e aqui em Brusque, 10 (diretos e indiretos)

Onde fica localizada a empresa?
Em São Paulo, na Zona Leste, Vila Alpina, Av. Brumado de Minas, 682 e em Brusque, na Rodovia Ivo Silveira, 3055, Bateas

Quantos turnos trabalha a empresa?
Em apenas um turno.

Quais medos você tem ou teve?
Medo de velocidade.

Maior medo é o de envelhecer ou o de entristecer. ?
Não tenho este medo não.

Qual foi o maior desafio até agora?
Viver sem a presença do meu pai

Você se arrependeu de alguma coisa que disse ou que fez ?
Sim, de algumas decisões na vida, mas resolvi todas


Fale um pouco de sua trajetória profissional e da sua história de vida?
Vim de uma família simples que aprendi a trabalhar muito forte pra conquistar algo.

O que faria se estivesse no inicio da carreira e não teve coragem de fazer?
Sempre aprendi a enfrentar os desafios, o que tentei e não consegui, não foi por falta de trabalho e sim uma decisão de parar em função do comercial não dar o retorno esperado

O que você aplica dos grandes educadores, das aprendizagens que teve, no seu dia a dia?
Toda experiência é válida pra mim, boa ou ruim, é ensinamento, guardo apenas as boas.

Quais as maiores decepções e alegrias que teve?
Tristeza: Perda do meu pai e da minha mãe
Alegria: Minha família, esposa e filhos
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A família unida



Publicado no Jornal EM FOCO aos 28 de novembro de 2014.

































sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Delmar Alberto Tôndolo

Delmar Alberto Tôndolo


Delmar Alberto Tôndolo.
Apresentação Delmar Alberto Tôndolo, casado com  Simone Sestari Tôndolo, filhos: Rafaela  e André Vinícius; nasscido em 27 de novembro de 1955, em Santa Maria RS, atualmente Diretor Técnico da Fundação Municipal de Esportes.

Como foi sua infância?
Típica de família humilde, simples, mas bem aproveitada, com muito espaço para brincadeiras, espaço para jogar bola, amizades sinceras, sem as armadilhas de hoje em dia.

Sonho de criança?
Ser uma pessoa respeitada, constituir família e não deixar passar pelas dificuldades que minha família passava.

Como foi sua juventude?
Também de forma bem simples, não haviam grandes alternativas de lazer (nesta época morava em Cachoeira do Sul, cidade mais de interior)

Pessoas que o influenciaram?
Em primeiro lugar e mais importante meus pais, que apesar de pouco estudo, demonstravam sempre o valor da honestidade, do trabalho e do respeito.

Em quais eventos esportivos você contribui com a organização?
Desde que estou na parte administrativa do esporte, com certeza em todos.

Que acontecimentos esportivos mais marcaram?
O que mais marcou com certeza foi a organização dos Jasc 2000, quando a maioria das pessoas em Brusque apostavam no fracasso ( e muitos trabalharam para isso por questões políticas ), nosso pequeno grupo de trabalho conseguiu dar a volta por cima e realizar os Jogos mais bem organizados até hoje, e a melhor classificação geral também com um honroso 4° lugar.

Que acontecimentos esportivos o marcaram de forma negativa?
Sempre procuro tirar uma lição de cada evento, e aperfeiçoar para o próximo. Então nada é negativo no evento e sim um aprendizado. Negativo é quando misturam política partidária no trato do esporte ou de sua administração.

Grandes nomes no esporte brusquense?
Arthur Schlosser, Rubens Facchini, Orlando Muller, Simone Stom, Carlão Schwanke, Heloisa Wichem, Helena Inocente, Maria Lucélia Joenck, Murilo Fischer, Gilmar Bork.

Os jogos comunitários pegaram para valer?
Sim, é um evento de muito valor para a comunidade em geral, falta algo mais para voltar ao brilho do seu início, mas é normal este processo.

Qual a expectativa para os 50° JASC?
Boas, acredito que podemos fazer um evento grandioso.

Rubens Fachini?
Pessoa fantástica, humano, dedicado, muito especial assim como seu Orlando Muller, são duas figuras exemplares que ainda convivem conosco e servem de exemplo de dedicação e amor ao esporte.

Torce para que equipes?
Sou Gremista, mas nada de fanatismo.

O que é uma sexta-feira perfeita?
Aquela que você olha para trás, sente-se realizado com todo o bem que se fez, que temos um fimal de semana para carregar as energias, e reiniciar o ciclo das coisas bem feitas.

Paulo Roberto Eccel e Farinha estão no caminho certo? Apoiam as iniciativas esportivas?
Estão no caminho certo, resgatando as origens do nosso esporte, valorizando as ações, criando oportunidades.

O que poderia ser melhorado em relação as iniciativas esportivas no Berço da Fiação Catarinense?
Planejamento para os próximos 10 anos. Como fizemos em 1994. Chamar a iniciativa privada para ser parceira, as entidades de classe, e junto com o poder público traçar metas e responsabilidades de cada setor. O potencial de Brusque é muito grande.

Por que o esporte amador, notadamente o futebol, perdeu a graça?
Acredito que a falta de respeito entre atletas e dirigentes, além dos muitos mercenários,hoj e num jogo de futebol o que mais você ouve são palavrões, ofensas além de não assistir futebol, e sim anti jogo, o que interessa é parar e intimidar o adversário, esqueceram da bola. Como vamos levar a família para assistir, ou incentivar um filho a jogar, se estão como na velha Roma, se degladiando dentro do campo.

Como foi sua vida profissional até aqui?
Alcancei todos os níveis da minha carreira, Professor de escola, Técnico de Handebol, Diretor de Esportes, Secretário de Educação, Conselheiro do Conselho Regional de Educação Física, Conselheiro do Conselho Estadual de Esportes, Árbitro de Handebol, escrevi um Livro sobre arbitragem ( primeiro no Mundo no formato, no Brasil ainda não tem nada semelhante ), e outros cargos não menos importantes, mas nada disso foi fácil, tive e tenho que provar cada dia que sou capaz e que dedico meu trabalho para o desenvolvimento do esporte.

Alguma mensagem à juventude?
Praticar o bem, serem justos, honestos consigo mesmo, valorizar o dom da vida, e lógico, praticar esportes. O ingresso da mulher no mercado de trabalho tem contribuído para o aumento da criminalidade?
Isso é puro preconceito, a mulher revolucionou o mundo, muito mais do que os homens. Temos que aprender a trabalhar juntos para a manutenção da vida. Ninguém é menos ou mais do que ninguém. Todos temos os nossos DEVERES e nossos DIREITOS.
Embora o afastamento do lar, possa possibilitar uma liberdade extrema aos filhos, pois teoricamente tendem a ficar sozinhos em casa, sem pessoa responsável, a orientação e o carinho dedicado mesmo no pouco tempo que estão juntos, favorece o direcionamento para o bem, além disso não faltam oportunidades e atividades para ocupação deste tempo, o esporte é um destes meios para uma boa orientação. O ingresso da mulher no mercado de trabalho tem contribuído para o aumento da criminalidade?

Referências

  • Jornal Em Foco. Edição de 6 de julho de 2010.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Odirlei Dell’ Agnolo, popular Bah

Odirlei Dell’ Agnolo

Contador e Assessor Administrativo


O entrevistado da semana é Odirlei Dell’Agnolo, nascido em  Brusque aos 09.09.1980 - ano da fundação do PT               - Partido dos Trabalhadores – em São Paulo – filho de Rosa Amélia Dell’Agnolo e Ivan  José Dell’Agnolo. Três irmãos: Débora,                 Leandro e Thamires (in memoriam), namora Priscila Heil; tem uma filha: Isabela Carvalho. É  Contador e presta Assessoria Administrativa e estuda Filosofia.
Qual a sua formação escolar?
Sou formado na Escola Básica Osvaldo Reis, Técnico em Contabilidade pelo Honório Miranda, Bacharel em Direito pela Unifebe e atualmente estudo Filosofia na Faculdade São Luiz.

Sonho de criança?
Viver livre. Minha infância foi muito livre: cresci na Santa Rita em meio há umas 30 crianças da mesma geração, tudo muito humilde. Meus irmãos e eu sempre tínhamos atividades com o restante da turma; minha mãe ficava meio doida com a gente pois sempre saíamos para brincar na redondeza. A gente se divertiu muito, e somos todos amigos até hoje. Alguns trabalham comigo, outros são nossos clientes, é uma irmandade até os dias atuais, muito bom.

Como foi a sua juventude?
Minha juventude foi de olhar para o futuro, divertida e prazerosa; nunca parei de estudar até hoje; fui esportista assíduo de várias modalidades: levantador do time de vôlei do Osvaldo Reis, goleiro do time juvenil do Brusque de futebol de salão, sou surfista. Sempre fui sonhador . Na adolescência tive os primeiros contatos com experiências laborais: fui Office boy, promother de eventos, fui envolvido com todas as coisas que um jovem pode se envolver,sempre com a clareza que se é necessária ou aprendendo com a própria vida, o que é bom ou o que é ruim, sou feliz por isso.

Pessoas que influenciaram?
Família, amigos, igreja católica, realidade social. Sempre fui muito questionador. Insensato nominar qualquer coisa ou pessoa, pois o conjunto da obra é que sempre me faz refletir.

Uma frase?
“Põe a semente na terra não será em vão, não se preocupe a colheita plantas para o irmão”
Diz tudo!

Primeira Professora?
Minha primeira professora foi a Dona Zeli no Osvaldo Reis em 1987, sob a diretoria da Professora Vera Bina; acho que o sobrenome da Dona Zeli era Benvenutti. Foi uma professora inesquecível e super competente como todo os demais. O colégio Osvaldo Reis é uma grande paixão minha.

Como responsável direto pela Ordem Judicial que obrigou os vereadores  a “vota” as atas do ex prefeito como viu a “manobra” para adiar a votação das contas do ex prefeito? Esperava mais dos vereadores da situação?
Como venho falando, penso que quem consente com a bandidagem fica submetido a ela, então esses vereadores não são nada diferentes das coisas que eles defendem e estão dispostos a passar por cima de qualquer coisa pelo objetivo de estar no poder, ou seja, se defendem pessoas desabonados,  são desabonados  também, se defendem pessoas boas,  são pessoas boas também. Sobre os vereadores da situação para mim é complicado cobrar qualquer postura, pois não fazem parte do nosso partido político – o PSOL, ou do nosso grupo político, digo-lhe que eles são o espelho de seus partidos.

Por quê a  população está desacreditada com a política de uma maneira geral ?
Penso que  a população não esta desacreditada na política, ela apenas não acredita nos políticos e confunde isso com a política, pois não vê horizontes. A população ainda não se deu conta de que a melhoria de vida de todos passa necessariamente pela política, e não é fácil  conscientizar e despertar a fé de uma massa de pessoas desacreditadas. As pessoas precisam acreditar na democracia e experimentá-la . Cotidianamente nosso país vê políticos transformando-se em pizza. Tínhamos um Presidente da República que ingeria nos outros poderes, como no caso Sarney, quando mandou absolvê-lo no Senado. Penso  que de maneira geral as pessoas precisam coexistir politicamente,  pois nós existimos enquanto seres humanos com nossas famílias, religiões, trabalho etc... e não participamos ativamente da vida política do país.

E os jovens por quê estão desacreditados?
Os jovens têm uma capacidade muito grande de indignação, o que em minha opinião. Muitas vezes é confundida pela população como revolta, onde pensam que o jovem é revoltado, é nada, é indignado! E quem houve essa indignação?                 Poucos, pois cada um pensa no seu umbigo. Nós, jovens, somos os reais agentes de mudança em uma sociedade, por isso temos que cuida e potencializar a juventude mirando uma nova sociedade, um novo pensamento social. A população ainda pensa como na época colonial, onde os senhores tinham o poder e o usavam contra quem os enfrentassem, mesmo o enfrentamento sendo justo o cidadão sentia a perseguição na pele. Hoje, na democracia, todos nós, individualmente temos poder: os vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores, presidente e o judiciário, são  nossos empregados número 1 e tem que servir o povo e não utilizar o poder para ameaçar as pessoas, perseguir grupos etc  ... O poder é da população e isso tem que ficar bem claro na mente das pessoas, aí elas vão exercitar a cidadania com veemência.

E o pleito de 2012 – como vê?
2012 está aí, vejo um campo aberto para as idéias.

O que motivou a ingressar com a ação popular contra a prorrogação do transporte coletivo?
Que transporte público? Em minha opinião o que existe hoje não é transporte público, o que chamam de transporte público da nossa cidade é uma vergonha, além de ser muito caro. Entramos com a ação pois vimos as ilegalidades e ir contra as leis é ir contra o povo, que faz as leis. Tenho certeza que o transporte público de Brusque será realmente um serviço público após a licitação, atendendo as necessidades da nossa população.

Como vê a Administração Paulo R. Eccel e Evandro- Farinha -Farias?
Vejo a atual administração municipal diferente do que imaginava que seria.

Por quê  diferente?
Porque a grande mudança que o povo precisa é a mudança de comportamento dos agentes políticos, isso que eu aposto e isso ta um pouco longe daqui! Como dizia Cazuza “Eu vejo o futuro repetir o passado” . Um dia veremos a frase do povo, pelo povo e para o povo em vez de o poder pelo poder para o poder ser o norte dos nossos representantes políticos.


Fale um pouco de sua trajetória profissional e da sua história de vida
Minha vida profissional começo cedo, com 15 anos entrei na Contasse Contabilidade para ser office boy, e ali fiquei por quase três anos, auxiliando no departamento contábil com um grande amigo, o Daniel Ristow, o Juliano – proprietário da Contasse – foi o cara para mim; aprendi a ter ética na vida profissional e tratar o trabalho como algo divertido e prazeroso. A gente se divertia muito. Aprendi que nada é impossível de se fazer, ali ganhei mais do que experiência profissional e conhecimento, ganhei a certeza de a gente quando quer pode muito. Após fui trabalhar no setor de compras na Bilu, outra grande experiência, muita gente boa de trabalhar, ali a minha veia empreendedora arrebentou de vez.  Nessa época, em março de 1999, com 18 anos montei o escritório de contabilidade, para atender uma micro empresa de uma grande amigo, logo outros amigos foram se apropriando  dos meus serviços, uns até não me pagavam, mas não tinha problema pois o lema era se ajudar do jeito que podíamos. Da Bilu fui para Contidata Contabilidade, cuidar do setor de contabilidade e administração de Condomínios: a Ingrith e a Fabi me deram toda a liberdade para fazer as coisa do meu jeito e isso eu gostava.  Fique ali por 11 meses, nesse meio tempo comecei a trabalha com o KIKI nas baldas, nessa época eu tinha 4 empregos: trabalhava na Contidata, desenvolvia “home pages promother” de festas com o Kiki e mantinha  meu escritório . Ainda bem que eu era perfeccionista, pois isso garantia a quali8dade dos serviços. Em 2000, com 19 anos, montei uma loja de jeans com um amigo, logo depois vendemos e fomos para o Rock i Rio em 2001, coisa de jovem. Com o Kiki fiquei até 2002, onde comecei a dar atenção exclusiva a contabilidade. Dessas experiências todas, posso dizer que só trabalhei com pessoas de um ótimo coração, seres humanos de verdade, amigos para sempre, eu sou  um pouco de cada um, com toda a certeza moram no meu coração, obrigado. Hoje temos uma ótima equipe em meu escritório de contabilidade, também presto assessoria administrativa em algumas empresas e assessoro e apoio  algumas ONG’s, que cumprem seu papel social pelo esta afora. A luta é grande.

Algo que você apostou e não deu certo?
Sempre levei a vida na leveza, não podemos fazer mais do que podemos realmente fazer,; errar e acertar faz parte da vida, quando alguma coisa não dá certo existem milhões de outras acontecendo que estão dando certo, então eu aproveito essas. Eu não me decepciono com as coisas que faço, sou muito bem resolvido e sei de todas as possibilidades e aceito elas. Me decepciono com atitudes de pessoas, mas isso também é normal, pois temos perfis muito diferentes, uns são mais solidários, outros são mais egoístas e assim caminha a humanidade.

O que faria se estivesse no início da carreira e não teve coragem de fazer?
Sou feliz por toda a coragem que tenho dentro de mim, e por toda a sensibilidade que tenho. Nossas vidas são abençoadas e iluminadas, e a gente tem que ter a certeza disso. Coragem não me faltou para nada o que faço, principalmente no campo social, quando entro em alguma coisa, dentro de cabeça, confiante. Talvez alguma vez faltou condições de agir, mas me recordo agora de um fato em si.

O que aplica dos grandes educadores, das aprendizagens que teve, no seu dia a dia?
A fé no futuro, são educadores, pois acreditam no futuro, eu agradeço a cada um e me orgulho deles. Em cada conversa a gente aprende algo, tira a dúvida sobre algo. Debates são o que movem o pensamento e evolução humana. A melhor coisa é você ter paz para acreditar que somos imperfeitos e aceitar essa imperfeição é si aceitar como ser humano, mas sempre buscando fazer o bem. Vou e quero ter muitos educadores ainda, pois  como diz o nosso grande Rui Barbosa “estudante sou, nada mais!”


Quais as maiores decepções e alegrias que teve?
Todos os males vem para o bem, a gente só aprende sentindo-os transformando-os em coisas boas. A tristeza, decepções e alegrias fazem parte da nossa vida; temos que olhar sempre para frente, ter fé, ter coisas boas para oferecer, coisas que saem de dentro da gente, coisas humanas. A vida passa muito rápida, aproveitar as adversidades para sempre aceitar as diversidades. Aceitar, essa é a palavra que me dá a Paz que eu preciso para viver. Um dia, quem sabe, a gente aprende a Ser Humano.